Como falar com pessoas sobre seus problemas sem fazê-las se sentirem piores com isso.

Antes de iniciar qualquer análise, eu gostaria de deixar claro que não sou nenhum estudioso do assunto, tampouco um expert em psicologia, portanto, essa é minha visão acerca de experiências pessoais e podem diferir de outros processos e pessoas.

A melhor forma de saber como solucionar um problema é perguntando a quem sofre o que ele está sentindo; o que ele gostaria de melhorar; onde está doendo; o que ele já fez e não deu certo; onde você, como solucionador de problemas, pode ajudá-lo a resolver.

Cenário

Iniciei meus estudos em UX em 2013 durante a pós graduação em Design Estratégico e desde Julho de 2020 venho me aprofundando mais em UX Design, quando decidi investir minha última reserva financeira no curso do UX Unicórnio, o qual recomendo muito a quem quiser ingressar nessa área, por ser um curso muito completo. Porém, não é nada barato, apesar de valer o investimento, não é todo mundo que pode comprar um conteúdo desses. E se você, assim como eu, não conseguir nenhuma vaga como UX Designer Jr., o custo vem atrelado à uma frustração imensa. A culpa é do curso? Não, obviamente que não, como eu disse, recomendo de olhos fechados. Então, como pode alguns alunos se destacarem e conseguirem suas primeiras oportunidades ganhando salários de quase 10mil reais e outro aluno não? São alunos melhores? Mais dedicados? Com maior networking? Com melhor portfolio? A resposta pode ser qualquer uma dessas, ou nenhuma.

Pois bem. Desde o inicio de 2021, quando já havia estruturado meu portfolio com o case proposto pelo curso, resolvi aplicar para vagas de UX Designer Jr. em diversas empresas. Algumas até mesmo por indicação de amigos, diante de um quadro meu de depressão que se aprofundou no final de Janeiro. Mas como ajudar um amigo, familiar, ou parente, que se encontra em uma situação difícil sem fazê-lo se sentir pior por isso? É aí que entra minha análise de empatia.

Falar de feedback de empresas a seus candidatos é muito complicado. O próprio Google, por questões de jurisprudência, não emite qualquer feedback a seus candidatos. Postura que a empresa adotou para se proteger de possíveis processos legais. Entretanto, o candidato, sem saber o que melhorar em seu perfil, jamais conseguirá evoluir para conquistar aquela tão sonhada vaga. Por outro lado, e-mails respostas com texto cliché emitido por mala direta a todo candidato que não foi selecionado, não é feedback, é um “valeu, falou” polido, que também não esclarece ao candidato onde ele pode melhorar para se tornar um profissional desejado para o mercado. Portanto, minha análise não é sobre feedback de empresas, pois cada uma tem a sua política e fica difícil abranger todos os pontos. Contudo, não é por isso que o sentimento de frustração de um candidato não seja legítimo.

O problema

Diante desse cenário de não conseguir ingressar ou, no meu caso, reingressar no mercado de trabalho, o sentimento de frustração é inerente a qualquer indivíduo. Existe a frustração pela sensação de investimento perdido em conhecimento; existe a frustração pelo não reconhecimento de suas habilidades; existe a frustração pela falta de capacidade de realizar seus objetivos ou cumprir com seus deveres, nesse caso, o pagamento de contas. Enfim, o desgaste mental é psicológico é devastador e suas consequências podem ser das mais leves às mais severas, de uma simples tristeza ao suicídio. O sentimento de incapacidade é esmagador e é preciso de ajuda externa para sair dessa condição. Porém, algumas tentativas de ajuda podem atrapalhar mais do que realmente ajudar.

A Análise

São inúmeras as formas de uma pessoa buscar ajuda para esse tipo de problema e, no meu caso, eu recorri às redes sociais, pedi aos amigos por indicação de trabalho. Algumas me renderam entrevistas, outras não renderam nada. Não existe um meio certo de pedir ajuda, mas talvez exista um meio certo de ajudar e ele só pode ser feito através de empatia.

A empatia é uma das soft skills que um UX Designer mais precisa trabalhar e desenvolver diariamente se quiser entender e solucionar problemas com precisão. Não adianta propor uma solução para um problema baseado no que VOCÊ acredita ser o melhor caminho para resolvê-lo. A melhor forma de saber como solucionar um problema é perguntando a quem sofre o que ele está sentindo; o que ele gostaria de melhorar; onde está doendo; o que ele já fez e não deu certo; onde você, como solucionador de problemas, pode ajudá-lo a resolver.

Estou escrevendo essa análise diante de experiências pessoais ao longo desse meu processo de migração para a área de UX, onde vivencio essas questões diariamente. Já recebi todo tipo de palavra amiga, de possíveis soluções para meu problema, mas em nenhum momento me perguntaram o que eu já fiz para resolver isso e não deu certo. Eu entendo o ímpeto de amigos e pessoas próximas em quererem ajudar, em quererem confortar, mas, às vezes, ao fazerem isso de forma “errada”, com palavras que não ajudam e não propõem soluções ao problema, fazem com que o problema pareça maior e que não possui solução, afinal, todas as soluções propostas já foram previamente testadas, tentadas e não surtiram efeito algum, levando a pessoa que sofre acreditar que seu problema é insolucionável.

A Solução

Então, como falar com as pessoas sobre seus problemas sem fazê-las se sentir pior com isso? A resposta é simples: use a empatia.

Empatia

substantivo feminino
1. faculdade de compreender emocionalmente um objeto (um quadro, p.ex.).
2. capacidade de projetar a personalidade de alguém num objeto, de forma que este pareça como que impregnado dela.
3. capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente, de querer o que ela quer, de apreender do modo como ela apreende etc.

PSICOLOGIA
processo de identificação em que o indivíduo se coloca no lugar do outro e, com base em suas próprias suposições ou impressões, tenta compreender o comportamento do outro.

SOCIOLOGIA
forma de cognição do eu social mediante três aptidões: para se ver do ponto de vista de outrem, para ver os outros do ponto de vista de outrem ou para ver os outros do ponto de vista deles mesmos.
(fonte:Wikipedia)

Ao conversar com uma pessoa que está enfrentando uma situação dificil, antes de oferecer-lhe ajuda, pergunte quais são suas dores, o que seria um analgésico para ela, o que ela já procurou fazer para solucionar e não funcionou e procure entender porque não funcionou. Procure olhar o problema com os mesmos olhos dela, para que você entenda como aquilo dói nela e só assim você possa oferecer uma solução que vai, de fato, resolver aquele problema.

Pelo menos era assim que eu gostaria que tivessem falado comigo quando eu mais precisei.

Minhas redes:
LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/mariokoller/
Behance: https://www.behance.net/mariokoller
Instagram: https://www.instagram.com/themariokoller/

--

--

--

UX-UI & Product Designer

Love podcasts or audiobooks? Learn on the go with our new app.

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store
Mario Koller

Mario Koller

UX-UI & Product Designer

More from Medium

“Memorable year in Crypto” says Danish Chaudhry, FMFW.io CEO

Aldrin Week in Review

«Weekly Report» The Change of AIDUS QTS Profit Rate (March 18, 2022)

Sparking onto the Scene